O PLANEJAMENTO URBANO: A CIDADE QUE PENSA QUADRADO

O planejamento urbano moderno pensa em linhas retas, ângulos rígidos e fluxos calculados. Pensa quadrado. As cidades não são desenhadas para pessoas, mas para máquinas. O ser humano tornou-se detalhe; o veículo é o protagonista.

E quando finalmente sobra um espaço para o pedestre — esse intruso do asfalto — ele encontra calçadas irregulares, descontínuas, cheias de obstáculos. E agora ainda existe o “tapete do capeta”: piso tátil desconfortável, quase hostil, que torna o simples ato de caminhar uma pequena batalha cotidiana.

A cidade, que deveria acolher, expulsa.
A rua, que deveria unir, separa.
E o planejamento urbano, que deveria servir ao humano, continua servindo ao automóvel e ao lucro.
No centro das praças ergue-se o obelisco — símbolo silencioso de dominação social, cultural, artística e urbana. Uma lança de pedra fincada no coração da cidade, lembrando quem manda, quem ordena, quem molda o espaço.
A divisão das regiões de imóveis reforça o mesmo princípio: territórios parcelados conforme o valor do metro quadrado, não conforme as necessidades reais da vida humana. O mapa urbano é a topografia do mercado.
As calçadas são irregulares; descontinuas; com muitos obstáculos e agora com o "tapete do capeta", que torna muito difíceis de caminhar.
E apraça do Papa???









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