Para erguer um sistema desigual, indiferente e hipócrita, passaram a exaltar um suposto “lado feminino” da natureza — um artifício simbólico que, há mais de dois mil anos, sustenta a lenta desumanização da vida. Desde Eva, cujo gesto inaugural de desobediência moldou o imaginário moral do Ocidente, o mito tem sido usado como alicerce para justificar estruturas de culpa, submissão e controle. No mundo contemporâneo, marcado pela fusão entre capitalismo e cristianismo, a mulher é envolvida por um conjunto de proteções legais que, paradoxalmente, a colocam num pedestal e numa jaula ao mesmo tempo. Mas a idealização também cobra seu preço: nas redes sociais, muitas vezes cai a máscara da perfeição e emerge a brutalidade humana que é comum a todos — homens e mulheres. O sistema, criado majoritariamente por homens, agora volta-se contra seus próprios arquitetos. Eles se tornam vítimas das engrenagens que ajudaram a forjar. O Sistema Economômico transfornou-se Fem...